Encontro semanal reúne fãs do modelo no bairro Pinheirinho, em Curitiba

Uma breve história do Chevrolet Opala
O Chevrolet Opala é considerado um verdadeiro “Muscle Car” brasileiro. Baseado no germânico Opel Rekord, o Opala foi o primeiro Chevrolet brasileiro. Com motores de quatro e seis cilindros e duas versões de carroceria (coupê e sedan), conquistou a vice-liderança do mercado alguns meses após sua apresentação oficial, em 19 de novembro de 1968.

Opala, segundo o dicionário da língua portuguesa, é uma pedra preciosa, o que já seria uma boa justificativa para o nome do carro. No entanto, nosso Opala tem outra origem. O nome vem da junção de Opel – que cedeu muito da base para o novo GM, e de Impala – modelo americano de grande destaque que emprestou motores e transmissões para a marca.
Como dizia no slogan da sua propaganda: “Carro é Opala”, o modelo resistiu bem a seus concorrentes da época. O “golpe de misericórdia” na concorrência foi o lançamento da versão Gran Luxo, em 1971. Esse modelo batia de frente com concorrentes maiores e mais caros, como as “banheiras” Ford Galaxie e Dodge Dart.
Ainda nos anos 1970, o sucesso do Opala era absoluto, com vendas em alta. Em junho de 1971, a Chevrolet lançava a versão SS (Super Sport) – a sigla já era conhecida nos modelos americanos como Impala, Chevelle e Camaro, que se diferenciavam por uma mecânica mais poderosa.
Em 1975, a marca lançava a perua Caravan, derivada do Opel Rekord Caravan, que já existia desde 1965 com uma versão 4 portas que, curiosamente, nunca foi vendida no Brasil. Junto a famosa perua, a GM lançava a sua versão de luxo, a Comodoro.

Nos anos 1980, a versão Comodoro passaria a ser uma versão intermediária entre o SL e o Diplomata. O modelo, nessa época com vinte anos de lançamento, ganhou uma reestilização. Os faróis retangulares passaram a ser trapezoidais, lembrando um pouco do Monza, com um visual mais sóbrio.
A versão Diplomata era a linha mais refinada e mais cara do modelo, que em 1985 ganhava uma reestilização com adição dos faróis de milha aos faróis principais. A última atualização do modelo aconteceu em 1988 e durou até o fim da sua produção, em 1992.
No último ano de produção, o Opala ganhou uma edição de despedida com 100 unidades fabricadas nas cores, azul, preto e vermelho.
Substituir um automóvel que está no coração do povo nem sempre é uma tarefa fácil para algumas montadoras. Mas, no caso do Opala, já estava no tempo: eram quase 25 anos de produção da mesma plataforma e mecânica. Com o tempo, o modelo começou a ficar defasado, situação parecida com a do Fusca, que resultou no nascimento do Golf e do Gol. Mas, num carro como o Opala, as muitas reestilizações já mostravam a idade do projeto.
Eis que, em 1992, a Chevrolet lança o seu sucessor, o Omega, um automóvel tão refinado quanto o Opala – projeto que já estava sendo desenvolvida pela Opel em 1986.
Encontros do grupo em Curitiba
Com mais de 50 anos de história, o Opala reúne fãs e entusiastas que preservam a história deste carro como um tesouro da cultura automotiva brasileira. Próximo a Rua da Cidadania do Pinheirinho, em Curitiba, um grupo de “Opaleiros” se reúne todos os domingos expondo seus carros.
Dom Golçalves começou a organizar os encontros em meados de 2014. Antes, eles eram realizados em frente à Arena da Baixada, até que a Copa do Mundo do Brasil forçou a mudança de endereço. No primeiro encontro “pós-bloqueio da Copa”, Dom” reuniu 6 carros ao lado da Rua da Cidadania do Pinheirinho.
Para Dom, não é você que escolhe o carro, mas sim ele que escolhe você. “Os carros antigos são interessantes, pois quando você se dá conta, já está envolvido nesse meio”, diz, entusiasmado. “Sempre tive apreço pelo Opala. A minha ideia era um Opala Preto Diplomata 1992, mas acabei adquirindo um Comodoro Azul 1988. Como disse antes, o carro escolhe você!”.
Dom conta que, além do Comodoro 1988, tem outros antigos na garagem. São modelos Opala – em especial, o “Presidente”, que foi carro presidencial nos tempos de João Figueiredo – e de outras marcas. “Minha vontade é ter todos os Opalas do mundo. Na família, temos outros 5 modelos”, delicia-se.

Arquivo Pessoal / Dom Gonçalves



Placa JFO – Referência ao nome João Figueiredo
Cezar Henrique, que é proprietário de um Opala Diplomata 1991 há quase 15 anos, conta que adquiri-lo foi realizar um sonho. “Estava guardando dinheiro, quando um amigo me apresentou esse carro, não estava procurando na época, mas quando vi acabei gostando do carro.”
Cezar conta que o modelo era mais acessível na época devido à desvalorização de mercado, coisa que mudou completamente nos dias de hoje, quando um Diplomata “de respeito” passa dos R$ 35 mil.
O Diplomata 1991 é um dos últimos modelos produzidos e tem bancos originais e rodas do modelo 1992. Cezar conta que o carro chama atenção e que o cuidado com a máquina faz toda a diferença. “Ainda tem quem goste de usar para acelerar, fritar pneu e se exibir, mas o meu carro é apenas para passeio de fins de semana”, decreta.
O grupo de “Opalairos” se reúne todos os domingos na Rua da Cidadania do Pinheirinho, a partir das 10 horas da manhã – é só chegar.














