Moacir Quege conta com três Rural Willys bem conservados em sua coleção
A Rural Willys é um utilitário produzido pela Willys Overland nas décadas de 1950, 1960 e 1970 no Brasil. Em 1946, logo após o final da Segunda Guerra Mundial, chegavam ao país os primeiros Jeeps – jipes –, cujo sucesso resultou na fundação da Willys-Overland do Brasil em 1952. Logo, a station wagon – na verdade, uma perua reforçada – começava saía da fábrica de São Bernardo do Campo (SP). Foi rebatizada como Rural Willys e, em pouco tempo, perdeu o “sobrenome”. Para os brasileiros desde então é, a “Rural”.
A Rural foi um dos primeiros utilitários esportivos lançados no Brasil a partir de um modelo norte-americano mais refinado. Assim que a Ford comprou as operações da Willys, nos anos setenta, a perua passou a se chamar Ford Rural. Ainda é muito comum vê-la em atividade em cidades do interior: com sua plataforma 4×4, mecânica simples e lataria grossa, a Rural é conhecida pela robustez para enfrentar terrenos difíceis.

Moacir Quege é um grande entusiasta em carros antigos e, em seu ambiente de trabalho – uma conhecida malharia no bairro Alto da XV, em Curitiba – está cercado por fotos e miniaturas de diversos clássicos de época. Moacir conta que a paixão pelos motores veio através do seu pai, que era um grande fã das motocicletas Harley Davidson e que trabalhava com uma quando era fiscal de trânsito de Curitiba, na primeira metade do século 20.
Moacir Quege é um grande entusiasta em carros antigos e, em seu ambiente de trabalho – uma conhecida malharia no bairro Alto da XV, em Curitiba – está cercado por fotos e miniaturas de diversos clássicos de época. Moacir conta que a paixão pelos motores veio através do seu pai, que era um grande fã das motocicletas Harley Davidson e que trabalhava com uma quando era fiscal de trânsito de Curitiba, na primeira metade do século 20.
Moacir lembra que o seu primeiro carro foi uma Ford Coupe 1941, quando tinha 18 anos. Hoje, tem como recordação diversas fotos do modelo. Ele conta que encontrou o carro em São Paulo e voltou rodando para Curitiba. “O carro, naquela época, estava em perfeito estado… e isso era em 1967! Acabei vendendo para um colega do exército que, tempos depois, acabou batendo ele forte”, lamenta, arrependido.

“Também tive um Buick Dynaflow 1952 que comprei do meu tio. O carro era azul e tinha o interior vermelho. Vendi para um conhecido que o modificou. Possivelmente, esse carro nem exista mais”, conta.
Muitos dos carros antigos – em especial, os modelos um pouco mais elitizados – eram caracterizados pela pintura de carroceria metálica, parachoques e frisos cromados com interior quase sempre refinado, muito diferente dos automóveis que são vendidos atualmente. Para Moacir, cada carro tem uma característica especial. “Os carros de época tinham personalidade. Você reconhecia e diferenciava um Chevrolet de um Dodge. Se, hoje, perguntar para um jovem, ele não vai reconhecer o que foi um Buick Dynaflow!”, explica.

Como grande aficionado por carros, Moacir conta com algumas raridades em sua garagem – entre elas, três Rurais Willys que dão o título a esta reportagem. Moacir conta que comprou a primeira Rural em 1997 em Santa Catarina, junto com o filho. Era um modelo 1963 azul e branco, com tração 4×2; em um ano, graças a muito trabalho de restauração, o veículo ganhou a “placa preta” ou de colecionador. O processo para obtenção/manutenção da placa de colecionador (antiga placa preta) exige, no mínimo, 82% de originalidade. O carro passa por um checklist anual feito por clubes de colecionadores para a emissão do certificado de originalidade. Entretanto, o novo padrão de placas MERCOSUL mudou o estilo das placas, que, agora, tem o fundo branco com letras cinzas.

Após dois anos da primeira compra, em 1999, Moacir se enamorou de uma segunda Rural Willys, desta vez modelo anos 1966, 4×4, verde e branco. O carro, na época, pertencia ao dono de um posto de combustíveis no Bacacheri, que havia deixado o veículo parado por algum tempo.

Em 2000, veio a terceira Rural, desta vez uma perua 1970, ano em que o carro ganhou um novo motor de 3.0 litros, com seis cilindros em linha e um carburador de corpo duplo que rendia 132 CV de potência bruta.
Xodó – Moacir conta que cada carro tem um “quê” especial, a começar pelos nomes de batismo. A Rural de 1963 é chamada “Penélope”, a de 1966 é a “Filomena” – e a de 1970, “Margarida”. Todas, segundo ele, igualmente amadas e cuidadas. Além das “três meninas”, Moacir conta com outras preciosidades em sua garagem, como um Opel 1951 completamente restaurado e uma Mercedes SEC 500 1982.
Moacir conta que o brasileiro sempre foi apaixonado por carros, mas é um hobby que está desaparecendo, pois, para a grande maioria dos jovens, o automóvel não é mais o símbolo de liberdade que foi nos seus primórdios. Hoje, para muitos, é um mero meio de transporte. Essa constatação traz a grande preocupação do entusiasta: quem dará continuidade ao seu hobby? Essa é uma questão com que alguns colecionadores de carros antigos se preocupam, pois muitas famílias acabam vendendo esses carros. “Se eu perguntar para uma geração com menos de 25 anos, ela não vai reconhecer o que é um Porsche ou um Corvette”, diz.
Ele, porém, resiste e se diverte com sua coleção. Não é todos os dias, afinal, que se vê três Rurais Willys juntas (e com nomes de mulher) dividindo espaço com um Opel 1951 e uma belíssima coupe alemã dos anos 80, a Mercedes SEC 500 – carro que, mesmo com seus 35 anos, liga na primeira batida de chave. “Quando ligo um carro desses, sinto o cheiro forte de combustível e isso mexe com a gente. É como se eu tivesse gasolina no sangue!”, entusiasma-se. Ficamos entusiasmados também!
Quanto Custa uma Rural? – Caso você esteja pensando em adquirir uma um antigo ou especial uma Rural Willys você tem que estar atento no estado de conservação do carro, pois como muitos dizem: “Nada mais caro que um antigo barato”. Os preços da Rural variam muito conforme o estado do carro e da originalidade do exemplar os preços flutuam entre R$ 30.000 a R$ 90.000 mil reais.












