Volksfest reuniu mais de 200 carros antigos no Bosque São Cristóvão

Imagino que você ou alguém da sua família já teve um Fusca. Afinal, o eterno “besouro” da Volkswagen é um dos carros mais populares da cultura automotiva brasileira e mundial. Além dele, a Volks também nos brindou com outros carros muito apreciados, como a Brasília, a Kombi e os cobiçadíssimos esportivos Karmann-Ghia e SP2, raridades que estão entre os carros mais valorizados entre os entusiastas.

Neste último final de semana (04 e 05) aconteceu em Curitiba a segunda edição do Volksfest, evento que reuniu carros da marca Volkswagen no Bosque São Cristovão, em Santa Felicidade. O espaço recebeu mais de 200 carros, entre eles 50 automóveis alemães. Colecionadores, restauradores e donos orgulhosos mostraram suas “carangas” para o público.

Um pouco de história – A história da Volkswagen no Brasil começou em 1953, em um armazém no bairro do Ipiranga, em São Paulo. De lá saíram as primeiras unidades do Fusca, montadas com peças importadas da Alemanha. Entre 1953 e 1957 foram montados nesse galpão 2.820 veículos, sendo 2.268 Volkswagen Sedan (Fusca) e 552 Kombi.

Foto: Arquivo Volkswagen

Com o sucesso nas vendas, a marca decidiu construir uma fábrica no Brasil. A produção, iniciada em 1957, trouxe os primeiros carros da marca com peças fabricadas em território nacional. O primeiro Fusca montado no Brasil foi lançado em janeiro de 1959. Com 8.406 unidades vendidas naquele ano, o modelo se tornou um grande sucesso no mercado. Até 1986, no Brasil foram produzidas 3,1 milhões de unidades do “besouro”, que saiu de linha e foi relançado anos mais tarde, nos tempos do presidente Itamar Franco (de 1993 a 1996). Sua produção mundial se encerrou em 2003.

Em 1962, a marca produziu um dos primeiros esportivos nacionais: o Karmann-Ghia, que era montado de maneira artesanal sobre o chassi Volkswagen. Ele foi o terceiro modelo da fábrica feito no Brasil, depois do Fusca e da Kombi. O Karmann-Ghia nasceu de uma união do fabricante de carrocerias alemão Wilhelm Karmann com o italiano Luigi Segre – designer do estúdio Ghia. Verdadeiro modelo “trinacional”: alemão, italiano e a brasileiro.

O carro teve um modelo conversível em 1968, do qual foram produzidos apenas 177 exemplares. Uma raridade absoluta no meio dos entusiastas da marca.

Até 1972, último ano de sua fabricação, foram produzidos 23.400 Karmann-Ghia na versão original cupê. A partir de 1970, o carro ganhou um motor 1.600 cc e surgiu o modelo TC, equipado com dois carburadores.

Curitiba Car City / Foto: Luciano Katruski

Outros carros favoritos entre os entusiastas “esportivos” da marca estão o SP1 e o SP2, que foi lançado 1972. O SP2, aliás, é um projeto genuinamente brasileiro. Ele traz um design esportivo, ousado, e é reconhecido pelos antigomobilistas como um dos modelos mais belos da marca.

Grandes clássicos da marca/ Foto: Arquivo Volkswagen

Colecionadores – Marcelo Sugeta é proprietário de um Karmann-Ghia 1969 há mais de 20 anos. O carro, que saiu de uma restauração há dois meses, veio rodando de Londrina para o VolksFest em Curitiba. Marcelo conta que a sua história com o carro começou quando houve a necessidade de um segundo carro para a família. “Minha ideia era comprar um Fusca, mas minha esposa me apresentou o Karmann-Ghia, carro que eu nem conhecia. Como na época não havia internet, fui pesquisar sobre o carro através de revistas. Foi aí que decidi ir atrás de um”, lembra.

O Karmann-Ghia de Marcelo foi comprado em São Paulo de um colecionador de brinquedos antigos; ele tinha dois Karmanns, um modelo 1968 e outro 1969. Marcelo conta que o veículo, na época, era vermelho e foi usado no dia a dia, exposto ao tempo e perdeu algumas calotas (coisa comum em modelos antigos).

“Na época, quando o carro era vermelho, foram feitos diversos reparos. Mas, quando surgiu a oportunidade em fazer uma restauração completa, pedi para o funileiro descobrir com que cor ele saiu de fábrica. Daí ele encontrou esse verde musgo, a sua cor original de época”, conta.

No trajeto ao Volkfest, Marcelo conta que o veículo perdeu os freios em Ponta Grossa, mas isso não o impediu de vir ao evento. “Nunca imaginei que após 20 anos com o carro estaria participando de um evento como esse, me sinto muito privilegiado por estar aqui”, diz.

Em diferentes anos e versões, Fuscas e Kombis estavam em peso no evento. Um carro diferente do outro, dos originais aos mais modificados, cada um trazendo um pouco da personalidade dos seus proprietários.

Marcos Costa é proprietário de um Fusca 1969 clássico há três anos. O veículo, que após uma repintura manteve a cor original, traz detalhes como os borrachões do para-choque e as pestanas dos faróis, itens que vinham como opcionais de época.

“Como dizem, o Fusca é uma paixão nacional. Quando a tive condições, comecei a colecionar e, atualmente, tenho três fuscas”.

O Volkfest também recebeu alguns “lordes” da marca, modelos Porsche nascidos da mesma prancheta (a de Ferdinand Porsche) do Fusca.

Quanto custa um VW antigo? O preço dos fuscas varia muito, dependendo do estado do carro e da raridade do modelo. Em portais de classificados como o OLX, fuscas em estado decente têm preço mínimo médio de R$ 14 mil. Para modelos mais raros, como o VW SP2, os preços passam dos R$ 80 mil. Um valor justo por uma joia do nosso design automotivo.

Galeria completa do evento


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