O Mustang Clube do Paraná celebrou o aniversário com grande estilo na Ford Barigui em Curitiba

“O cavalo das pradarias”: breve história do Mustang
Em abril de 1964, durante a Exposição Mundial em Nova Iorque, era revelado ao mundo um novo esportivo. Seu nome, Mustang, uma homenagem aos cavalos indígenas das planícies americanas. Sucesso instantâneo: assim que foi lançado, vendeu 22 mil exemplares a clientes ansiosos – os primeiros dos mais de 400 mil que seriam entregues aos novos donos no primeiro ano de produção. Assim começava a história de um dos carros mais icônicos da cultura automotiva americana, que no dia último dia 17 completou 55 anos de produção ininterrupta.
O Ford Mustang é o tipo de carro que é facilmente reconhecível, mesmo que você não entenda muito do universo automotivo. Basta ele estar lá, com suas linhas agressivas e atraentes, e o nome parece que vem à cabeça. Simples, assim!
Na telona – O Mustang ganhou espaço no cinema e quase sempre é lembrado por “Eleanor”, bólido do filme “60 Segundos” (2000), remake estrelado por Nicolas Cage de um clássico dos anos 70. E, é claro, não tem como esquecer “Bullitt”, de Steve Mcqueen. O filme traz uma das melhores cenas de perseguição do cinema, com um Mustang Fastback guiado pelo Steve contra um Dodge Charger RT – 1968, o carro dos “bad guys”.

No seu ano de lançamento, 1964, a Ford trouxe diferentes configurações de carroceria: coupe, fastback e conversível. O Mustang foi apresentado na época em que o Corvette era o único esportivo no mercado americano, sendo que o veículo mais próximo do Corvette era o Ford Thunderbird, carro que já não estava à altura do seu “rival”. (lembrando que o Camaro, o grande concorrente do Mustang, só surgiu em 1967). Equipado com o motor V8 que o acompanha nessas cinco décadas – incluindo na sua fase negra, em 1974, quando entrou a segunda geração com um visual “sem graça” e uma versão esportiva de apenas 134cv.

Em 55 anos, o Mustang foi o esportivo das massas, um dos carros mais vendidos dos EUA, com um desempenho e um visual que é característico do modelo, mesmo nas suas versões mais simples mostrou grande evolução aerodinâmica e tecnológica com o passar dos anos e ainda conquistou diferentes gerações de entusiastas.
A festa dos colecionadores curitibanos
No último domingo (28/04), mais de mil pessoas, entre proprietários e admiradores do Mustang, se reuniram na concessionária Ford Barigui do Campina do Siqueira, em Curitiba. O evento comemorativo organizado pelo Mustang Clube do Paraná contou com mais 70 carros expostos, entre eles raridades como o Mustang Boss Laguna Seca e uma edição moderna do “protagonista mecanizado” do filme “Bullitt ”.
Entre diferentes gerações e modelos exclusivos expostos, um dos modelos que mais chamavam a atenção era um Fastback de 1966 em processo de restauro, colocado logo na entrada do evento. O modelo, raro até mesmo no seu país de origem, é um daqueles “tesouros esquecidos” – por 20 anos – e encontrados. O exemplar foi comprado de seu primeiro dono pelo empresário Romulo Bastiani, que é um grande entusiasta de carros clássicos americanos.

Romulo, que trabalha com restauração e importação de carros antigos, veio de Brusque (SC) prestigiar o evento e com ele trouxe três exemplares dos anos 60, entre eles um Fastback em processo inicial de restauração, ainda com a pintura original e com o painel marcando cerca de 150 mil milhas. Esse carro chegou ao Brasil há três meses. “Colocamos a mão na massa. Um processo de restauração de um veículo como esse fica pronto durante um ano e meio, mas antes disso fazemos o levantamento das peças nos EUA e trazemos tudo junto com o carro sem precisar importar depois”, explica. Romulo conta que também é apaixonado pelas picapes americanas e, além dos Mustangs, na garagem conta com outros xodós: um Chevrolet C10 V8, Ford F1 1952 projeto Custom e uma Chevy El Camino 1972, que está a caminho.
Entre os diversos para-choques cromados, estava presente um projeto moderno característico dos anos 2000: um Mustang 1995 modificado, carro com mecânica original de 215cv e um dos concorrentes diretos do Mitsubishi Eclipse de segunda geração.

O aposentado Odilon Macedo conta que o carro foi a realização de um sonho antigo, pois foi um presente que ele se deu quando se aposentou. “Quando criança, brincava com carrinhos MatchBox e, nesta época, já tinha um Mustang em miniatura. Um carro que, desde esse tempo, acabou se tornando um grande sonho de consumo”, relembra.
Odilon, que é proprietário do modelo desde 2010, conta que, aos poucos, foi dando continuidade ao projeto de customização, com pintura nova e acessórios. Odilon comenta que o carro é de de garagem e que o usa apenas nos fins de semana, pois é impossível usar um V8 como daily car. “Andar nesse carro não tem preço. É um carro que anda bem e gasta também”, brinca.
Como a maioria das pessoas próximo dos 40 anos que cresceram gostando de carros, Rodrigo Adan conta que é um grande fã da Ford e aprendeu a dirigir em um modelo da marca. “O Mustang é um dos poucos carros que chegaram a 55 anos de produção. Eu comprei o meu por importação independente. Foi uma grande realização”.
Rodrigo comenta que, mesmo em um cenário que abrange esportivos europeus como os das marcas Ferrari, Porsche e BMW, ele acaba preferindo os esportivos americanos. Muscle car na veia, em síntese.
Quanto custa um mustang? – O Mustang GT Premium modelo 2019 que agora é importado oficialmente pela Ford pode ser comprado por R$ 316 mil (valor final). No caso dos Mustangs clássicos, os valores variam muito, dependendo do estado do carro, da raridade do modelo e de possíveis modificações. No site da Webmotors, por exemplo, um Mustang 5.6 Match 1 V8 ano 1973 em bom estado está à venda por R$ 200 mil em Curitiba.









































