Um dos Hot Hatchs mais desejados dos anos 90 foi um dos grandes esportivos do mercado nacional, competindo com Escort XR3 e Gol GTI

Quando falamos em “Hot Hatch”, estamos falando de carro pequenos com motores infernais. Em termos de Brasil, nos referimos a carros lendários que vinham com as siglas GTS, GTI, GS e XR3, que “inauguraram” a injeção eletrônica em nosso país. Estamos falando de carros como o Gol e o Escort. E, é claro, estamos falando do Kadett, “carrinho” da GM/Chevrolet que fez a cabeça de gerações de brasileiros.
Em 1989, foi lançado no Brasil o Kadett nas versões SL, SL/E e em sua versão esportiva GS, que concorreu diretamente com carros como Gol GTS e GTi, Escort XR3 e o Uno 1.6R,que faziam a cabeça dos jovens daquela época.

(Marco de Bari/Quatro Rodas)
Uma das características mais marcantes do Kadett é seu design, aerodinâmico e sólido – característico de um carro dos anos 90 (ele havia sido lançado em 1984 no mercado europeu). O Kadett chegou no Brasil em 1989 para substituir o Monza hatch, que manteve a mecânica robusta da Família II da Chevrolet, com motor de 1.8 e dois litros.
Entre as versões de entrada, a mais equipada de época era o esportivo GS,que trazia linhas mais arrojadas com para-choques exclusivos, bancos Recaro, aerofólio e um bom desempenho. Ia de 0 a 100 km/h em 10,5 segundos, com velocidade máxima de 180 km/h.
Em 1992, a Chevrolet substituiu os carburadores do Kadett, incluída na mudança a perua Ipanema, pela injeção eletrônica – adicionando o “i” no nome. O Kadett GSi ganhou 11 cv – 121 cv a 5.400 rpm e 17,6 mkgf de torque, suficientes para chegar aos 100 km/h em dez segundos e atingir a velocidade máxima de 190 km/h.
Quando os “cadetes” Kadetts se encontram
No dia 14 de abril, um encontro comemorativo organizado pelo Kadett Clube PR no Armazém Garagem Bar, em Curitiba, reuniu mais de 50 carros e um número ainda maior de aficionados pelo design dos carros dos anos 90.
Leonardo Vinicius sempre gostou de carros e, desde os tempos de escola,falava para seus amigos sobre o Kadett GS e GSI. Uma plateia de apaixonados por outras viaturas “da moda”, como o Gol e a Saveiro, quase sempre caracterizados por rebaixos ou preparações especiais.
“A história do meu Kadett GSI começou quando um amigo quetrabalhava com meu pai estava à procura de um carro. Ele procurou em diversas lojas até encontrar o carro de um senhor que estava deixando para venda”,conta.
Leonardo lembra quando viu o carro pela primeira vez: era impecável como se tivesse acabado de sair da concessionária. As linhas esportivas e os detalhes da entrada de ar do capô chamaram sua atenção. “Meu pai foi proprietário de um Kadett SL por 12 anos e eu sempre falava para todo mundo que o meu primeiro carro seria um Kadett, recorda entusiasmado.
“Na época eu trabalhava com o meu pai e sempre que via o dono do carro, pedia que ele não vendesse. E dizia que, algum dia, o Kadett seria meu”.
Seu primeiro carro foi um Fiat Pálio, na época 0 km, mas o sonho maior seguia sendo o Kadett GSI. O popular novo ficou pouco tempo com Leonardo.Assim que pagou as prestações, fez uma proposta para o dono do carro. E teve sucesso! Leonardo conta que foi a realização de um sonho, mas, na época, era complicado.Um veículo com mais de 15 anos não era caro de manter, mas apareciam problemas. “Tive problemas com mecânicos ruins. Arrumava uma coisa e, quando menos esperava, o carro quebrava novamente”, lembra.
Leonardo conta que não troca e não vende o carro – é um verdadeiro xodó, que está na família há quase 10 anos. De fato: o Kadett GSI 1992 está em um raro estado de conservação e conta com diversos itens,como as raríssimas rodas do Calibra de 15 polegadas, entre outras peças importadas dos modelos europeus.
“O carro sempre chama atenção e sempre aparecem propostas de troca por veículos mais novos. Uma vez me ofereceram um Astra Advantage. Sem chance! Não consigo me desfazer desse carro, decreta Leonardo.
Um clube para o Kadett
O Kadett Clube PR foi fundado em 2005 por Igor Temmlere, hoje, conta com cerca de 60 membros que se reúnem em encontros quinzenais. Por lá já passaram mais de 500 carros, que unem entusiastas do Kadett e seus derivados, como a perua Ipanema.
Igor conta que o pai comprou uma Ipanema e ficou confuso quando viu no documento “GM Kadett Ipanema”. “Quando dirigi esse carro pela primeira vez eu tinha 18 anos. Na época, fiquei impressionado com a velocidade de resposta do carro”, lembra.
Em 2005, Igor pesquisou a existência de clubes devotados ao Kadett.Encontrou apenasum, no Rio de Janeiro. A partir daí surgiu a ideia defundar o Kadett Clube do Paraná, por onde já passaram centenas de pessoas.
O motorista Ivanio Jung conta que comprou uma Ipanema 1991 para uso no trabalho. A mecânica forte e robusta o cativaram. “Comecei a gostar do carro ‘pelo avesso’”, brinca. “Muitas pessoas sonham em ter o carro e, depois, compram.No meu caso foi ao contrário: depois que comprei, passei a gostar do carro!”.
Comprando um Kadett – primeiros passos:
Se você tem bala na agulha e pretende adquirir um Kadett GS ou GSI, tenha em mente que os valores variam conforme o estado do carro. É necessário estar atento à parte mecânica e à lataria. Como se trata de um carro com quase 30 anos de existência, podem aparecem desgastes, problemas de pintura ou peças faltando. Quando os donos foram negligentes na manutenção, esses problemas podem ser ainda mais sérios. Dito isso, vamos ao dinheiro: um carro cobiçado por colecionadores, com itens originais, tem preço de saída de R$ 14.500,00. Exemplares originais pouco rodados e bem cuidados – as “joias do tesouro” Kadett – saem por R$ 55.000,00. Cá para nós, um dinheiro muito bem investido!
















